Debate ao governo de Minas termina em bate-boca entre Kalil e Gabriel Azevedo; veja as propostas dos candidatos
Debate ao governo de Minas termina em bate-boca entre Kalil e Gabriel Azevedo; veja as propostas dos candidatos
Cinco dos seis candidatos convidados ao governo de Minas Gerais se enfrentaram na noite deste domingo (16/8), em Belo Horizonte, no primeiro debate da campanha de 2026, promovido pela Band Minas. Participaram o atual governador, Mateus Simões (PSD), o ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil (PDT), o senador licenciado Cleitinho Azevedo (Republicanos), o empresário Flávio Roscoe (PL) e o ex-vereador Gabriel Azevedo (MDB). Patrus Ananias (PT), também convidado, não compareceu, sua campanha informou que ele estava em São Paulo para o lançamento da candidatura de Lula à reeleição.
O debate marcou o inÃcio oficial da disputa pelo Palácio Tiradentes e foi dividido em blocos de confronto direto e perguntas de jornalistas, mas o que mais repercutiu não foi propriamente uma proposta de governo.
O momento mais comentado: Kalil e Gabriel Azevedo trocam ofensas ao vivo
Nos minutos finais do programa, já perto do encerramento, Alexandre Kalil e Gabriel Azevedo protagonizaram uma discussão inflamada que obrigou a produção da Band a cortar o som dos microfones. Segundo relatos de quem estava próximo, Kalil teria mandado o adversário "a tomar naquele lugar" durante a troca de farpas, chegando a dizer "vou te dar um soco", ao que Gabriel teria respondido "vem cá então". O mediador, o jornalista Lucas Catta Preta, precisou intervir para retomar as considerações finais dos candidatos.
Já na entrevista coletiva após o debate, Kalil minimizou o episódio e relacionou o clima mais tenso ao fato de que passaria por uma cirurgia de transplante de córnea na manhã seguinte. Gabriel Azevedo, por outro lado, cobrou postura do adversário, afirmando que polÃtica "não é futebol" e que quem disputa o governo do estado precisa saber lidar com instituições como a Assembleia Legislativa e o Ministério Público.
Kalil também trocou farpas pesadas com Simões
Outro embate de destaque foi entre Kalil e o atual governador. Simões cobrou uma declaração antiga do ex-prefeito sobre feminicÃdio, feita em 2022, quando Kalil teria classificado o tema como "complexo" e alheio à responsabilidade do governo. Kalil reagiu perguntando se o governador "vive em Nárnia", numa crÃtica ao que chamou de sucateamento da PolÃcia Militar e à defasagem no efetivo das forças de segurança sob a atual gestão.
Simões também retomou um processo movido por ele, ainda como vereador, contra Kalil, então prefeito de Belo Horizonte, por suposto uso de aviões fretados com dinheiro público para viagens pessoais em 2018, um caso que pedia a devolução de R$ 150 mil aos cofres municipais e que acabou arquivado. Kalil rebateu chamando o governador de "pai da mentira" e negou as acusações.
As propostas: o que cada candidato defendeu
Apesar da confusão do fim do programa, os candidatos também apresentaram propostas e posições em temas concretos para o estado:
IPVA e isenção para carros antigos — Cleitinho defendeu a isenção do imposto para veÃculos mais antigos como forma de estimular a economia, citando o caso de um eleitor que teria decidido comprar um carro por conta da medida. Simões reconheceu o valor da redução de impostos, mas apontou que a mudança já tirou quase R$ 1 bilhão da arrecadação estadual e disse ter discutido com o próprio Cleitinho a possibilidade de ampliar o desconto, desde que houvesse compensação financeira aos municÃpios.
Incentivos fiscais — Kalil defendeu que o estado avalie de forma mais rigorosa se as renúncias fiscais concedidas a empresas realmente geram empregos. Roscoe rebateu, afirmando que criticar os incentivos "mostra desconhecimento" da dinâmica econômica e que uma retirada unilateral colocaria Minas em desvantagem frente a outros estados, com o custo do aumento de impostos sendo repassado ao consumidor final.
Saneamento básico e Copasa — Roscoe defendeu a privatização da Copasa como caminho para ampliar investimentos no setor e permitir que municÃpios negociem diretamente com a companhia. Gabriel Azevedo se mostrou preocupado com o possÃvel aumento nas tarifas após uma privatização e criticou o que classificou como discussão insuficiente sobre o tratamento de esgoto no processo.
Segurança pública e facções criminosas — Gabriel Azevedo prometeu ampliar investimentos na polÃcia, mas criticou indiretamente o atual governo por, segundo ele, tentar assumir um papel que caberia aos próprios agentes de segurança. Cleitinho também prometeu reforçar a PolÃcia Militar, com uso de inteligência artificial no combate ao crime organizado.
Mineração — Roscoe defendeu que o setro minerário não seja "demonizado" nos discursos de campanha, enquanto Gabriel Azevedo ponderou que o setor tem "empresários bons e ruins" e defendeu punição a quem descumpre a legislação, além de propor investimentos em transporte ferroviário para reduzir os impactos da atividade.
Infraestrutura e dÃvida do estado — No quarto bloco, o debate passou por obras como o Rodoanel de Belo Horizonte, a situação da dÃvida pública mineira e a exploração de terras raras no estado. Gabriel questionou Kalil sobre os planos para o Rodoanel, a ferrovia e a Região Metropolitana da capital; Kalil respondeu defendendo uma gestão baseada em obras concretas e prometendo que não haverá recursos públicos destinados a donos de empresas de ônibus.
Triângulo Mineiro — Simões afirmou que a região seguirá como prioridade de um eventual novo mandato, citando proximidade com pequenos produtores locais. Kalil aproveitou o momento para anunciar o convite ao prefeito de Uberlândia, Odelmo Leão, para ser seu vice na chapa.
Outras propostas e momentos curiosos
Nem tudo no debate foi embate pessoal. Alguns candidatos aproveitaram para deixar propostas especÃficas, e também renderam alguns dos momentos mais comentados da noite:
Cleitinho reafirmou uma bandeira antiga sua: prometeu que, como governador, seu primeiro ato será acabar com a apreensão de veÃculos por falta de pagamento do IPVA, medida que, segundo ele, afeta cerca de 4 milhões de veÃculos em débito no estado. O candidato fez questão de esclarecer que isso não significa zerar o imposto, apenas suspender a apreensão. Na mesma linha, ao ser questionado sobre segurança pública, Cleitinho defendeu que os policiais militares não sejam obrigados a usar câmeras corporais, e propôs, em vez disso, que o equipamento seja usado pelos fiscais do Estado, que segundo ele "vêm humilhando o trabalhador mineiro".
Já Kalil protagonizou um dos momentos mais engraçados da noite ao ser cobrado por Gabriel Azevedo sobre propostas para motoristas e entregadores de aplicativo. Gabriel disse ter lido o plano de governo do pedetista e citou medidas do documento. Kalil agradeceu, e admitiu que nem ele mesmo tinha lido o próprio plano por completo: "Gabriel, que bom que você leu meu programa. Eu, particularmente, não li. Só li o resumo, porque estou me dedicando a estudar o estado com muito cuidado e debatendo pessoalmente", respondeu, negando ainda que tenha tentado restringir a atuação de aplicativos de transporte quando foi prefeito de BH.
Um debate sem BrasÃlia no centro
Ao contrário do que se viu em outros estados nesta temporada de debates, como em São Paulo, marcado pela disputa Lula x Bolsonaro em pano de fundo, a eleição mineira teve a polarização nacional em segundo plano: o governo Lula quase não entrou nas discussões, e Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência apoiado por parte do campo à direita no estado, também foi pouco citado. O foco dos cinco candidatos presentes esteve nas cobranças ao mandato de Mateus Simões e nas disputas pessoais entre os próprios concorrentes.
Debate promovido pela Band Minas, realizado em Belo Horizonte (MG) na noite de domingo (16/8/2026), com Mateus Simões (PSD), Alexandre Kalil (PDT), Cleitinho Azevedo (Republicanos), Flávio Roscoe (PL) e Gabriel Azevedo (MDB). Patrus Ananias (PT) não compareceu.





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