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Tarcísio e Haddad têm 1º confronto direto rumo a 2026: educação, segurança e dívida com a União marcam debate na Band

 

Tarcísio e Haddad têm 1º confronto direto rumo a 2026: educação, segurança e dívida com a União marcam debate na Band


Tarcísio de Freitas (Republicanos) e Fernando Haddad (PT) protagonizaram neste domingo (9/8), nos estúdios da TV Bandeirantes, em São Paulo, o primeiro debate da campanha ao governo paulista em 2026. É a segunda vez que os dois se enfrentam diante das câmeras: em 2022, Tarcísio venceu o petista no segundo turno, com 55,27% dos votos válidos contra 44,73%.

O encontro reuniu apenas os dois candidatos, os demais concorrentes ficaram de fora por não atingirem a representação mínima de cinco parlamentares no Congresso exigida para participar do programa. O debate foi dividido em três blocos: confronto direto, perguntas de jornalistas e novo confronto direto, encerrado com as considerações finais.


Educação abre o debate

A primeira pergunta, feita pela organização, questionou como tornar São Paulo referência em educação. Tarcísio destacou os números do ensino técnico de sua gestão e prometeu ampliar o ensino de tecnologia e inteligência artificial nas escolas estaduais. Haddad rebateu afirmando que outros estados já superaram São Paulo no ranking de qualidade do Ensino Médio e criticou a adoção do Centro de Mídias pela gestão estadual, além de questionar a falta de avanço das escolas de tempo integral e a conectividade à internet nas unidades da rede.


Segurança pública: acusações cruzadas

No bloco sobre segurança, Haddad cobrou Tarcísio sobre o aumento de crimes contra a mulher e de crimes raciais no estado, citou alta nos feminicídios em São Paulo, na contramão da queda registrada no país, e afirmou haver infiltração do Comando Vermelho na região do Vale do Paraíba e no interior paulista, além de comandantes da Polícia supostamente vinculados ao crime organizado. Também criticou decisões do ex-secretário de Segurança, Guilherme Derrite.

Tarcísio respondeu citando os menores índices de homicídios, roubos e latrocínios da série histórica iniciada em 2001, destacou operações contra o crime organizado no setor de combustíveis e transportes, mencionando a prisão de um vereador do PT em uma dessas ações, e prometeu ampliar o uso de tecnologia na segurança. Também agradeceu ao prefeito Ricardo Nunes pela parceria no fim da Cracolândia e defendeu o avanço no número de Delegacias da Mulher durante sua gestão.

Um dos momentos mais tensos do bloco veio quando Haddad questionou se a indicação de Derrite ao secretariado havia sido técnica e insinuou que Eduardo Bolsonaro teria indicado nomes ao governo estadual. Tarcísio negou qualquer indicação de Eduardo e afirmou que a equipe foi montada por critérios técnicos, aproveitando a deixa para agradecer publicamente a Jair Bolsonaro por tê-lo "aberto as portas na política".

Relação com a União: Propag e repasses federais

O debate também girou em torno da relação financeira entre o governo paulista e a União. Haddad acusou Tarcísio de ter demorado a aderir ao Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag), o que teria custado a São Paulo cerca de R$ 1 bilhão por mês, e chegou a dizer que o governador deveria responder por improbidade administrativa pelo atraso. Tarcísio rebateu perguntando quais outros estados aderiram prontamente ao programa e afirmou que precisou recorrer ao Supremo Tribunal Federal para destravar repasses federais ao estado.

Haddad também acusou o governo Bolsonaro de ter dado "calote" em valores devidos a São Paulo, dizendo ter se reunido pessoalmente com Tarcísio para tentar reaver os recursos. Tarcísio, por sua vez, disse que o atual governo federal já liberou quatro vezes mais recursos ao estado do que a gestão anterior, citando como exemplos o túnel Santos–Guarujá, o Trem Intercidades entre Campinas e a capital, e programas como Farmácia Popular e Minha Casa, Minha Vida.

Economia, tarifaço e agronegócio

Na parte final do debate, os candidatos discutiram o desempenho da economia paulista e nacional. Haddad atribuiu a responsabilidade pelo cenário econômico ao ex-presidente do Banco Central Roberto Campos Neto, indicado por Jair Bolsonaro, e disse que Lula deve encerrar o mandato com a menor inflação da série. Tarcísio contrapôs citando o baixo crescimento da economia e o endividamento das famílias no governo Lula, além de mencionar a Operação Carbono Oculto, apontada por ele como a maior ação contra o crime organizado da história do país, iniciada em São Paulo.

Questionados sobre o impacto do tarifaço dos Estados Unidos contra produtos brasileiros, Haddad acusou os EUA de agir por interesses ideológicos e disse, sem citar nomes, que um grupo político optou por defender os interesses americanos em vez da soberania nacional. Tarcísio reconheceu que as tarifas prejudicam setores como o industrial e o madeireiro em São Paulo, mas destacou linhas de crédito e a reorganização de impostos estaduais criadas por sua gestão para amenizar o impacto. Sobre o agronegócio, que responde por cerca de 20% da economia paulista, segundo o governador, Tarcísio citou programas de previsibilidade ao setor, enquanto Haddad defendeu o reembolso do crédito tributário aos exportadores.


Início da temporada de debates

O confronto entre Tarcísio e Haddad abriu a temporada de debates da Band para governador em 2026: a emissora promoveu encontros no mesmo domingo em outros 11 estados e no Distrito Federal. O debate presidencial da emissora está marcado para 23 de agosto, reunindo os principais nomes na disputa pelo Palácio do Planalto.


Debate promovido pela Band, com participação da TV Cultura, TV Gazeta e Jovem Pan, realizado em São Paulo (SP) na noite de domingo (9/8/2026).

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